Imperialismo

18 maio

Imperialismo    

Política que tem por fim a formação e a manutenção de impérios. Foi um dos fatores decisivos na história antiga e moderna. Representa, politicamente, uma tentativa de unir diferentes nacionalidades ou grupos étnicos sob a direção de um governo que, pela extensão do seu território e riqueza dos seus recursos, forma um grande poder. Ideologicamente significa uma tentativa de justificar. a expansão imperial. A origem dos impérios deve ser procurada geralmente na conquista; sua manutenção, no exercício de um poder dominador; e sua justificativa, na capacidade real ou alegada do grupo conquistador ou imperial sobre os grupos conquistados ou colônias. Deste modo, a essência do imperialismo é o domínio de uma nação sobre outra ou outras.

 O termo tem, várias acepções e o conceito é muito controvertido. Desde a publicação, em 1902, do livro de J. A. Hobson, Imperialism (imperialismo), sobre os seus aspectos políticos e econômicos, o assunto tem sido discutido, principalmente pelos teóricos do marxismo, como Rosa Luxemburgo e Lenin, e pelos seus críticos modernos.

Tudo isso tem facilitado o uso ideológico da palavra, tanto mais que a natureza da política imperialista é, muita vezes, difícil de descobrir-se. As múltiplas atividades políticas, financeiras, econômicas, técnicas e culturais de um Estado em outro, algumas vezes sutis ou ocultas, visam à criação de um ambiente de simpatia, amizade ou influência, mas podem, também, visar apenas a uma posição de controle político e econômico. O número das tentativas imperialistas que tiveram êxito é suficiente para mostrar que embora o termo, como foi aqui definido, date da última parte do séc. XIX, o fenômeno escrito é tão velho quanto a civilização, e que o imperialismo antigo e moderno têm em comum não apenas os meios, mas também muitos de seus fins. A palavra é usada, ainda, ocasionalmente, para denotar um sistema de governo baseado na coerção, no qual o imperador governa por uma espécie de direito divino, hereditário ou de sucessão pessoal. Proclamado O Brasil como Império e seu chefe real imperador, o que, implicitamente, envolvia a idéia de superioridade, foi a política brasileira no Uruguai censurada como intervencionista e imperialista por ensaístas do Rio da Prata. Nessa censura se incluía também o temor pelo expansionismo territorial e, recentemente, pelo predomínio econômico, o que não se verificou.

O processo de criar o império através de uma federação é chamado também de imperialismo, se o ato voluntário de consolidação foi precedido do uso de métodos agressivos. A reorganização de um império existente por ajustamento federativo é, no entanto, muito diferente do imperialismo como método de ampliação de um Estado nacional em um império supernacional. Embora este último resulte especialmente da conquista e da anexação, é preciso deixar claro que expansão e conquista territorial não são idênticas a imperialismo. A conquista normanda, as anexações de Frederico o Grande, a expansão territorial dos pioneiros norte-americanos pelas planícies ocidentais ou a dos bandeirantes, no Brasil, não podem ser chamadas de imperialismo. A essência do imperialismo é a anexação de um Estado por outro, com a conseqüente modificação da estrutura do Estado original.

Teorias

Desde que o imperialismo existiu, muitos pensadores procuraram explicar seus motivos, para criticá-lo ou desculpá-lo. Deixando de lado as teorias antigas sobre os motivos e o valor do imperialismo, vários grupos de autores modernos podem ser apontados como estudiosos do assunto. No primeiro grupo podem reunir-se desde os moralistas ingleses até os totalitários alemães, italianos e japoneses do séc. XX, que advogaram políticas imperialistas, porque achavam que os problemas dos recursos humanos e materiais, dos mercados, de investimento de capitais e do excesso de população, seriam resolvidos pela criação de um império. Um segundo grupo seria formado pelos seus oponentes, entre os quais estão os fisiocratas da França, Adam Smith e David Ricardo. Admitem que o imperialismo pode beneficiar um pequeno grupo, mas nunca a nação, como um todo. Num terceiro grupo figurariam os teóricos marxistas, que estudaram todos os aspectos econômicos do imperialismo, entrando em grandes pormenores, e o interpretaram como a última etapa do capitalismo, etapa na qual o excesso de capital resultante do sistema de produção é obrigado a procurar, no estrangeiro, novos campos de investimento, em face da diminuição dos lucros no país de origem. o quarto grupo é formado pelos que argumentam que a história não apóia essas teses, porque elas não explicam o imperialismo pré-capitalista. Entre estes estão principalmente Jacob Viner e William L. Langer e analistas teóricos como Joseph A. Schumpeter, para os quais o imperialismo resulta de um complexo de causas em que atuam, em diferentes graus, as pressões econômicas, a agressividade humana, a busca de segurança, a ambição de poder e prestígio, emoções nacionalistas, o humanitarismo e outros fatores. Daí resulta a dificuldade de eliminar o imperialismo. Segundo Lenin, o imperialismo se caracterizava por cinco princípios essenciais:  1º a concentração da produção e do capital levada a um grau tão alto de desenvolvimento que resulta em monopólio, o qual desempenha um papel decisivo na vida econômica; 2º a fusão do capital bancário com o industrial e a criação, sobre a base desse “capital financeiro”, da oligarquia financeira; 3º a exportação do capital, diferentemente da exportação de mercadorias, adquire uma importância particular; 4º a formação de associações internacionais monopolistas de capitais, as quais repartem entre si o mundo; 5º fim da divisão territorial do mundo entre as potências imperialistas mais importantes. W. L. Langer, num estudo sobre o imperialismo, afirma que do ponto de vista da teoria econômica é difícil negar a lógica da teoria da acumulação, e que os postulados da teoria socialista são válidos. Mas, para ele, a história refutava a tese, porque na fase de maior expansão imperialista houve uma queda marcante no fluxo do investimento estrangeiro; não houve exportação de capital norte-americano na época da doutrina de Monroe; e não há relação direta entre exportação de capital e expansão territorial, pois os EUA inverteram mais capital no Canadá do que o fez a própria Inglaterra, e mais na América Latina que nas suas próprias colônias. Durante a II Guerra Mundial, quando os EUA se tornaram a maior nação credora, 43% do seu investimento estavam na América Latina, 27% no Canadá, na Terra Nova, e 22% nos países europeus. Do mesmo modo, a Alemanha, em 1914, tinha cerca de 25 bilhões de marcos colocados no estrangeiro, e desse total apenas 3% haviam sido aplicados na África e na Ásia, e somente uma pequena parte desses 3% fora invertida em suas próprias colônias. Deve-se notar, entretanto, que o investimento norte-americano na América Latina se concentrou na América Central, onde se exerceu o intervencionismo político e o imperialismo econômico que caracterizaram a diplomacia do dólar e do big stick. o caráter espoliativo dos investimentos e a pressão política servindo a interesses de grandes companhias singularizavam o imperialismo antes da I Guerra Mundial. Várias tentativas foram feitas na Sociedade das Nações e nas Nações Unidas para satisfazer, por meios pacíficos, as apirações legítimas das nações e conter as ilegítimas. Entre as medidas tomadas para esse fim estão o sistema de tutela para as áreas dependentes, o estímulo das relações culturais entre as nações, o auxílio aos países subdesenvolvidos e a melhoria da saúde e do bem-estar em todo o mundo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: