O Brasil e a República democrática

15 mar

A crise do Estado Novo e a queda de Vargas

A partir de 1942, o governo Vargas começou a se movimentar no sentido de preparar a transição controlada de um Estado autoritário para um regime mais aberto. Não por acaso, naquele ano o ministro do Trabalho Marcondes Filho iniciou uma campanha de popularização da figura de Vargas nos meios de comunicação, principalmente através do programa radiofônico “Hora do Brasil”. O objetivo era assegurar maior base de apoio para o governo entre as classes trabalhadoras. Esta era também a raiz da preocupação de consolidar os direitos sociais e trabalhistas, expressa em medidas aprovadas em 1943 como a CLT e o aumento do salário mínimo.

Mas a transformação do Estado Novo passava também pela formulação de uma estratégia para enfrentar a questão político-eleitoral. No interior do governo, surgiram propostas variadas, todas preocupadas em criar mecanismos de transição seguros que mudassem o regime mas mantivessem o poder nas mãos de Vargas. Uma alternativa aventada foi a de se promover eleições imediatamente, com base nas entidades de classe existentes, em geral dominadas pelo próprio governo. Vargas, no entanto, procurou não se precipitar e aguardou o rumo dos acontecimentos nos planos externo e interno.

A partir de 1943 a oposição passou a se movimentar com maior desenvoltura, a despeito da ação da censura e de outros órgãos repressivos. Durante todo o ano sucederam-se passeatas de estudantes, promovidas pela UNE, contra o nazi-fascismo. Em outubro, importantes lideranças civis e liberais de Minas Gerais lançaram um documento contestando o regime ditatorial conhecido como o Manifesto dos Mineiros. O governo reagiu punindo vários dos signatários, acusados de insuflar “nosso pior inimigo: as divergências internas”. Vargas prometeu a normalização da vida política do país para logo após o fim da guerra, em “ambiente próprio de paz e ordem”.

A tensão política manteve-se no ano seguinte. Tornou-se muito difícil para o governo conservar unida a sua base de sustentação no momento em que se abria a possibilidade de retorno ao regime da competição política. As dissensões internas tornaram-se inevitáveis. Um exemplo foi a renúncia do ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha, após o fechamento pelo governo de um organismo de apoio aos Aliados – a Sociedade Amigos da América.. Apesar de tudo, o governo continuou apostando na estratégia da candidatura única de Vargas nas futuras eleições presidenciais. Durante todo o ano, Marcondes Filho tratou de intensificar sua campanha de enaltecimento da figura de Vargas no rádio.

As oposições, por seu lado, partiram para uma atuação mais agressiva e começaram a costurar alianças com um ator que ganhava cada vez mais prestígio naqueles anos de guerra: os militares. Em outubro de 1944, a candidatura presidencial do brigadeiro Eduardo Gomes, herói dos 18 do forte, começou a ser articulada nos meios militares e civis. Em janeiro de 1945, no I Congresso Brasileiro de Escritores, intelectuais de renome defenderam a imediata redemocratização do país. Em fevereiro, a imprensa resolveu desconhecer a censura oficial e publicou uma entrevista com José Américo de Almeida defendendo eleições livres e apresentando Eduardo Gomes como candidato das oposições.

Para fazer frente às pressões e romper o isolamento político, ainda em fevereiro o governo resolveu baixar a Lei Constitucional nº 9, que previa a realização de eleições em data a ser marcada 90 dias depois. Era o primeiro passo para a redemocratização do país. Em maio foi decretado o Código Eleitoral: as eleições para a presidência da República e para o Parlamento Nacional seriam realizadas no dia 2 de dezembro daquele ano, e em maio de 1946 se realizariam as eleições para os governos e assembléias estaduais. De acordo com as regras do jogo, Vargas poderia concorrer às eleições, desde que se desincompatibilizasse do cargo três meses antes do pleito. O presidente, no entanto, afirmava que não tinha interesse em permanecer no poder.

A redemocratização do país mobilizou a sociedade brasileira. Surgiram partidos políticos nacionais que teriam a partir daquele momento, até a década de 1960, grande importância. Foram eles a União Democrática Nacional (UDN), que reunia grande parte das oposições; o Partido Social Democrático (PSD), beneficiário da máquina política do Estado Novo, e, finalmente, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), formado a partir da base sindical controlada por Vargas. Enquanto a UDN apoiou a candidatura de Eduardo Gomes, o PSD lançou a do general Eurico Dutra. O PTB inicialmente manteve-se distante dos dois candidatos.

Mesmo com a campanha nas ruas, continuavam as dúvidas. Vargas seria candidato? Que papel teria ele na redemocratização do país? Setores oposicionistas e segmentos da elite estadonovista temiam os projetos continuístas do ditador. Temiam também seu prestígio junto às forças populares. Por isso, queriam afastá-lo do poder o mais rápido possível.

A UDN defendia a convocação imediata da eleição para a presidência da República, deixando a promulgação de uma nova Constituição para um segundo momento. Os udenistas não admitiam que coubesse ao ditador a tarefa de presidir a constitucionalização do país. Já para os comunistas, que puderam atuar livremente após a anistia de abril de 1945, o primeiro passo para a implantação do regime democrático deveria ser a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Sob a vigência de uma nova Carta é que deveriam ser realizadas as eleições para a presidência da República, governos estaduais e assembléias legislativas. Na prática, a proposta dos comunistas implicava que Vargas permanecesse no poder ainda por um largo período. Essa proposta aproximava o PCB do PTB e fortalecia o movimento queremista, surgido em meados de 1945, cujas principais palavras de ordem eram “Queremos Getúlio” e “Constituinte com Getúlio”. Rapidamente o queremismo ganhou as ruas, deixando as elites civis e militares preocupadas com as intenções continuístas do presidente.

No dia 10 de outubro, Getúlio baixou um novo decreto antecipando para 2 de dezembro as eleições estaduais. Segundo o decreto, os então interventores deveriam outorgar dentro de um prazo de 20 dias as constituições estaduais. Caso quisessem ser candidatos, bastaria renunciar aos seus mandatos 30 dias antes do pleito. Tudo levava a crer que Vargas sairia profundamente fortalecido das eleições, realizadas sob a égide de seu governo. A partir de então, aceleraram-se as articulações conspiratórias. Entre os principais envolvidos estavam o ministro da Guerra, general Góes Monteiro, e o candidato do PSD à presidência da República e ex-ministro da Guerra, general Eurico Dutra. Os conspiradores contavam também com a aval do embaixador americano no Brasil, Adolf Berle.

No dia 25 de outubro, Getúlio nomeou seu irmão Benjamim Vargas chefe de Polícia do Distrito Federal. Circulavam rumores de que, ao assumir o cargo, Benjamim prenderia todos os generais que estivessem conspirando contra o regime. Essa nomeação funcionou como uma espécie de gota d’água. No dia 29 de outubro, Getúlio Vargas foi deposto pelo Alto Comando do Exército e, declarando publicamente que concordava com a deposição, retirou-se para São Borja, sua cidade natal. No dia seguinte, José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, assumiu a presidência da República, para transmiti-la, em janeiro de 1946, ao candidato vitorioso nas eleições, Eurico Dutra.

O Período Democrático (1946-1964)

   A pressão oposicionista sobre Getúlio Vargas se fortaleceria com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, apoiando os Aliados. As manobras políticas de Getúlio não seriam suficientes para mantê-lo no poder e, em outubro de 1945, ele renunciaria. Em 1946 assumiria a presidência o general Eurico Gaspar Dutra, eleito por sufrágio universal.

  • Constituição de 1946: A Constituição brasileira, promulgada em 18 de setembro de 1946, era francamente liberal democrática. Do seu conteúdo principal, podemos destacar tópicos como: voto secreto e universal para os maiores de 18 anos, excetuando-se os analfabetos, cabos e soldados; direito à liberdade de pensamento e expressão; direito de greve assegurado aos trabalhadores, etc.

  • Governo Dutra: O Governo do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) foi bastante influenciado pela conjuntura internacional do pós-guerra e o advento da “Guerra Fria”. Aliando-se aos EUA, o Governo Dutra rompeu relações diplomáticas com a URSS e extinguiu o Partido Comunista Brasileiro. Durante esse Governo, foi criado o Plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia).

  • Rompeu relações com as URSS
  • Fechou o PCB
  • No seu governo o Brasil foi inundado por uma enchente de produtos estrangeiros: automóveis, eletrodomésticos, perfumes, casacos de pele. Importaram-se até aparelhos de televisão numa época em que não havia nenhuma estação de TV transmitindo programas.
  • No final do seu governo a inflação alta engolia o salário mínimo – Trabalhadores agitados
  • As importações acabaram com as reservas de dinheiro conquistadas com as exportações, durante a Segunda Guerra Mundial – Desperdício.
  • Governo de Getúlio Vargas: Concorrendo para as eleições presidenciais, Vargas foi eleito com esmagadora maioria de votos. Assumindo o poder, foi apagando a imagem de ditador do Estado Novo e construindo em seu lugar a figura de um estadista democrata. Nesta fase (1951-1954), Vargas empenhou-se em realizar um Governo de caráter nacionalista (criou a PETROBRAS). Suas medidas governamentais provocaram violenta reação da alta burguesia, que o acusava de pretender implantar no Brasil uma República Sindicalista. Na verdade, sua política de aproximação com a classe trabalhadora preocupava a oposição, que se utilizou do crime ocorrido em 5 de agosto de 1954 para exigir sua renúncia. A crise terminou em 24 de agosto de 1954, data em que Getúlio Vargas suicidou-se.

  • Governo Nacionalista (a favor das empresas brasileiras e contra as estrangeiras)
  • Medidas para favorecer os trabalhadores – aumento de 100% no salário mínimo – para assegurar o apoio popular. 
  • Fortalecimento da Petrobras, ferindo os interesses de empresas multinacionais como: Shell, Texaco e Esso, que queriam explorar o petróleo brasileiro
  • Situação difícil para Getúlio Vargas – Os patrões estavam irritados porque ele aumentou o salário mínimo, os empregados continuavam a fazer greves, pois mesmo com o aumento de salário mínimo a inflação fazia os preços subirem e a qualidade de vida diminuir progressivamente. As multinacionais estavam contra seu governo apoiadas pela UDN.
  •    Em 24/08/1954 comete suicídio.

Carta – testamento de Getúlio Vargas

Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

  • Governo de Juscelino Kubitschek: O Governo de Juscelino Kubitschek de Oliveria (1956-1961) foi marcado por diversas realizações desenvolvimentistas, que estavam previstas no Plano de Metas: a construção de Brasília, a instalação da primeira fábrica de automóveis, a abertura de rodovias, etc. Este Governo permitiu a penetração do capital estrangeiro para financiar o desenvolvimento econômico e industrial pretendido. As consequências desse processo foram: aumento de nossas dívidas externas; crescente dominação de nosso mercado interno pelas empresas multinacionais.

  • Tinha a intenção de fazer o Brasil crescer 50 anos em 5 – Implantação de indústrias no Brasil: automobilísticas principalmente.
  • Construção de Brasília – 21/04/1960
  • Dívida externa dobrou seu tamanho
  • Governo de Jânio Quadros: O Governo de Jânio da Silva Quadros (1961) teve curta duração. Contou, a princípio, com o apoio das classes dominantes, na medida em que combatia, internamente, o comunismo. Mas a oposição direitista logo se revoltou contra sua política externa independente. A revolta da oposição teve seu ponto culminante quando Jânio Quadros condecorou “Che” Guever, Ministro da Economia de Cuba, com a mais importante comenda brasileira. Pressionado, Jânio renunciou ao poder em 25 de agosto de 1961.

  • Símbolo de sua campanha era uma vassoura com a qual pretendia varrer a corrupção.
  • Pretendia moralizar a sociedade
  • Restabeleceu relações diplomáticas com a URSS
  • Proibiu o uso do biquíni nas praias do Brasil
  • Proibiu briga de galos
  • Condecorou com uma medalha Che Guevara, o guerrilheiro argentino, herói da Revolução Cubana
  • Acusado de comunista. Renunciou a presidência apontando “forças ocultas terríveis”.
  • Governo de João Goulart: Após a renúncia de Jânio o poder foi entregue ao vice-Presidente João Goulart (1961-1964) que, a princípio, governou o País sob o regime parlamentarista. Goulart enfrentou forte oposição dos grupos de direita, que o acusavam de possuir um programa político “comunista”. A oposição tornou-se mais radical quando o Governo de Jango divulgou as Reformas de Base (que defendiam a reforma agrária do País). Em 31 de março de 1964, eclodiu um movimento militar que derrubou o Presidente João Goulart.

  • Foi vice de Jânio Quadros
  • Também era visto pelos grupos antigetulistas como comunista e por este motivo queriam impedir sua posse.
  • Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, liderou a Campanha da Legalidade que defendia o cumprimento da Constituição – O vice- presidente deveria assumir no caso do presidente renunciar.
  • Foi aceito pela Assembléia embora num governo Parlamentarista
  • Levou o povo brasileiro as ruas para, através de um plebiscito, poder escolher se o Brasil deveria ser regido por um governo parlamentarista ou presidencialista
  • Apresentou um plano de reformas: eleitoral, agrária e educacional.
  • Um golpe militar derrubou Jango em 1964.

CRONOLOGIA

1946- É promulgada a quarta Constituição da República.

Início do Governo Dutra.

1945- Fim da Segunda Guerra Mundial. Os anos do pós-guerra são marcados por hostilidades entre EUA e URSS que caracterizam a “Guerra Fria”.

1947- O Governo Dutra decreta a extinção do Partido Comunista  Brasileiro.

1951- Getúlio Vargas é eleito Presidente da República.

1953- O Governo Vargas cria a PETROBRAS.

1954- O Governo concede aumento de 100% aos assalariados.

Em 24 de agosto, Vargas suicida-se.

1955- Juscelino Kubitschek é eleito Presidente da República.

1956- O Governo Juscelino, com base em seu Plano de Metas, empreende diversas realizações desenvolvimentistas.

1960- Inauguração de Brasília.

Jânio Quadros é eleito Presidente da República.

1961- Jânio Quadros realiza um curto período de Governo.

Renuncia à Presidência em 25 de agosto de 1961.

O Vice-Presidente João Goulart assume a Presidência.

1963- Um plebiscito popular revela a preferência dos brasileiros pela volta do regime presidencialista.

1964- Um golpe militar derruba João Goulart da Presidência da República.

Surgimento da Rádio Nacional

Em 1936, durante o governo ditatorial de Getúlio Vargas, nasce a Rádio Nacional, no Rio de Janeiro. Durante a repressão getulista, torna-se a voz do governo, que deve muito de seu sucesso ao trabalho de massa desenvolvido pela Rádio. Em 8 de março de 1940, ao adquirir o veículo, o governo Vargas tornou-a a rádio oficial do Brasil. A Rádio Nacional recebia uma verba do governo para manter o melhor elenco da época. Dentre eles músicos, cantores e radio atores.

Para entender o valor da Rádio Nacional dentro do Estado Novo é preciso ir mais fundo. Faz-se necessário estabelecer uma comparação entre o momento político e a função da Rádio na vida das pessoas. O aparecimento do rádio não tem relação com os tipos de governo à época, mas sim com o avanço das pesquisas tecnológicas que vinham sendo realizadas desde o século anterior. Rádio e populismo desenvolvem-se quase que simultaneamente.

O populismo brasileiro começa a consolidar-se verdadeiramente com Getúlio Vargas, a partir do Estado Novo, em 1937. Ao surgir uma nova classe, impulsionada pela política populista, surgem também novos veículos que vão se prestar a estabelecer a comunicação do governo com o povo por meio de um discurso que visava atingir as massas, conquistá-las e fazê-las crer que existia um governo preocupado com seus anseios e necessidades. E é justamente aí que entra principalmente o rádio e, em menor escala, o cinema.

À época, a política econômica do Brasil era a agronomia. Houve, então, a necessidade de mudança para uma economia industrial movida por uma política populista. A crise gerada pelo crack da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, exigiu que todos os países, inclusive os latino-americanos, dessem início a um processo de modernização significativa.

Nesse instante, o rádio se torna o veículo mais importante, e o populismo surge como uma tentativa para solucionar os problemas deixados pela política agro-exportadora da política café-com-leite. Destacou-se nesse segmento a Rádio Nacional.

Uma das idéias que mais surtiu efeito para agradar aos inúmeros ouvintes foi a criação das radionovelas. A primeira, Em Busca da Felicidade, foi ao ar em 1942, pelas ondas da Rádio Nacional. E logo, assim como os programas com espectadores em estúdio, transformou-se em sucesso. Três anos depois, a Rádio Nacional transmitia diariamente 14 novelas.

Radio jornalismo

Mas não foi só de alienação que a Rádio Nacional sobreviveu. O radiojornalismo foi mais uma especialidade que surgiu. A Rádio Jornal do Brasil foi uma das primeiras a se voltar mais seriamente para este segmento. Mas logo foi imitada, com brilho, pela Nacional. Já em 1941, durante a II Guerra Mundial, a emissora criava o Repórter Esso, com a voz de Romeu Fernandez anunciando o ataque de aviões da Alemanha à Normandia.

O programa Repórter Esso fez grande diferença na história brasileira e no radiojornalismo. A partir de seu surgimento várias rádios procuraram, além de retransmiti-lo, também imitá-lo. O padrão austero e preciso do Repórter Esso ficou no ar até 1968. Foram 27 anos de um radiojornalismo que procurava mostrar, diariamente, os principais fatos do Brasil e do mundo. Era, assim como dizia seu slogan, a “testemunha ocular da história”.

Foi um dos poucos programas da época em que o locutor teve uma preparação especial. Heron Domingues, que durante 18 anos comandou o Repórter Esso, foi preparado pela United Press Internacional (UPI) estando, portanto, no mesmo nível dos melhores locutores norte-americanos da época.

A Rádio Nacional deu um grande passo para o desenvolvimento da história brasileira. O pioneirismo diante de uma conturbada situação política fez com que aflorasse logo de início a qualidade dos que trabalhavam no veículo e assim nivelasse por cima a capacidade dos profissionais de comunicação.

Ferramenta do governo

A inauguração da Rádio Nacional ocorreu em 12 de setembro de 1936, anunciada por um de seus principais narradores – Celso Guimarães. Era vista como a voz oficial do governo getulista, que utilizou a Hora do Brasil em 1939 para transmitir e disseminar as idéias e os ideais do regime ditatorial do Estado Novo.

Getúlio Vargas mobilizava a massa se prevalecendo do elo que o Estado tinha com a rádio. Era o veículo de maior alcance, atingindo principalmente a classe operária.

Por meio da rádio oficial do Brasil, Getúlio Vargas, num momento de repressão, propagou uma onda de nacionalismo e populismo entre a classe urbana. Para isso, utilizou a rádio em seu próprio benefício, já que se instalava uma nova política econômica com base nas atividades industriais. Tudo isso devido aos problemas deixados pela política agro-exportadora dos governos café-com-leite. O rádio acumulou uma nova função, não mais a de entretenimento, mas de instrumento de ação político-social, porém, de cunho propagandístico e de difusão da cultura local.

Getúlio com seu governo controlador e repressivo, não poderia deixar de manipular também os meios de comunicação. O rádio tinha como público-alvo a classe trabalhadora urbana e esta era vista como pedra bruta a ser lapidada pelos ideais daqueles que detinham o poder. Isto o levou a acreditar que a Hora do Brasil seria um dos programas mais ouvidos pelos brasileiros.


Meio de manipulação

A princípio, a programação da Hora do Brasil, transmitida entre 19h e 20h, era informativa, cultural e como não poderia deixar de ser, cívica também. Alexandre Marcondes Filho, então ministro do trabalho, se encarregava dentro de seu espaço na programação de divulgar as ações do governo e exaltá-las em nome de Getúlio. Era de vital importância que o povo tivesse conhecimento, mesmo que superficialmente, a respeito dos atos do governo. Dessa forma, Getúlio Vargas, visava o controle da massa brasileira de modo censurado e repressivo, e o fez por meio do rádio.

Celso Guimarães, Heron Domingues, Haroldo Barbosa, entre outros, disseminaram e exaltaram a cultura popular brasileira. Contribuíram, também, para que o rádio fosse fonte primordial de notícias, informações rápidas e radiojornalismo de qualidade.

Em 1940, Gilberto de Andrade atingiu a liderança entre as rádios com o radiojornal Repórter Esso. Fato que obrigou as outras rádios a modificarem seu modo de transmissão, suas programações e até mesmo a copiarem o modelo de radiojornalismo do Repórter Esso. Nesta época, o rádio deixou de ser apenas um veículo transmissor de notícias de jornais impressos para ter uma maior atuação, agora, com linguagem própria.

A Rádio Nacional foi sem dúvida uma das grandes precursoras da comunicação em massa. Foi um veículo de alto alcance contribuindo para a modernização de outras mídias. Estabeleceu um elo mais próximo entre a notícia, entretenimento e lazer com o ouvinte. A emissora tornou-se, à época, o meio de comunicação mais eficaz para controlar a massa. Dessa forma, a imprensa em geral também sentiu a necessidade de expansão, com um único objetivo: o povo.

O Golpe Militar de 1964

 

O Governo estadunidense tornou públicos, em 31 de março de 2004, documentos da política dos Estados Unidos e das operações da CIA que, ao ajudar os militares brasileiros, conduziram à deposição do presidente João Goulart, no dia 1º de abril de 1964. O governo americano e os militares brasileiros viam em João Goulart alguém perigoso porque, além de simpatizar com o regime Castrista de Cuba, mantinha uma política exterior independente de Washington, e tinha nacionalizado uma subsidiaria da ITT (eumpresa norteamericana). Além disso, Goulart tinha nacionalizado, no início de 1964, o petróleo, bem como a terra ociosa nas mãos de grandes latifundiários, e aprovado uma lei que limitava a quantidade de benefícios que as multinacionais poderiam retirar do país. Outro motivo foi o Brasil ser o maior exportador de suco de laranja  do mundo, fato que punha em risco a indústria norte-americana deste setor, situada no estado da Flórida.

Em 1964, o comício organizado por Leonel Brizola  e João Goulart, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, serviu como estopim para o golpe. Neste comício eram anunciadas as reformas que mudariam o Brasil, tais como um plebiscito pela convocação de uma nova constituinte, reforma agrária e a nacionalização de refinarias estrangeiras.

Foi neste cenário que, depois de um encontro com trabalhadores, em 1964, João Goulart (eleito à época, democraticamente, pelo Partido Trabalhista Brasileiro – PTB) foi deposto e teve de fugir para o Rio Grande do Sul e, em seguida, para o Uruguai. Desta maneira, o Chefe Maior do Exército, o General Humberto Castelo Branco, tornou-se presidente do Brasil.

As principais cidades brasileiras foram tomadas por soldados armados, tanques, jipes, etc. Os militares incendiaram a Sede, situada no Rio de Janeiro, da União Nacional dos Estudantes (UNE). As associações que apoiavam João Goulart foram tomadas pelos soldados, dentre elas podemos citar: sedes de partidos políticos e sindicatos de diversas categorias.

O golpe militar de 1964 foi amplamente apoiado à época e um pouco antes por jornais como O Globo, Jornal do Brasil e Diário de notícias. Um dos motivos que conduziram ao golpe foi uma campanha, organizada pelos meios de comunicação, para convencer as pessoas de que Jango levaria o Brasil a um tipo de governo semelhante ao adotado por países como China e Cuba, ou seja, comunista, algo inadmissível naquele tempo, quando se dizia que o que era bom para os Estados Unidos era bom para o Brasil.

Em 1965, as liberdades civis foram reduzidas, o poder do governo aumentou e foi concedida ao Congresso a tarefa de designar o presidente e o vice-presidente da república.

 

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